Tarifaço e crise política: o ‘bode na sala’ que temos que resolver
Antes de qualquer outra coisa, este artigo não se trata de defesa política ou de crítica a qualquer lado da polarização que vemos, há bastante tempo, instalada no Brasil. Este texto é sobre reconhecer um novo momento da nossa sociedade, bem como reconhecer o ‘bode na sala’ que temos que dar conta (rsrs).
Lembro dessa questão do ‘bode na sala’ porque é a melhor expressão sobre algo que incomoda, que é incomum, que não deve estar lá – a não ser que você seja um amigo que cria literalmente um bodo, à você, meu total respeito (rsrsrs). Como algo que precisa ser resolvido e não adianta somente ‘tocar o bicho de lá’, porque um bode não desaparece. Precisamos pensar, reunir esforços dos que estiverem a fim, para resolver a situação, para conduzir o nosso bode.
Pois bem: Tem hora que o jogo vira, e nem sempre da forma como a gente esperava. O fato é que o Brasil acordou em julho de 2025 com um tarifaço de 50% sobre produtos exportados aos Estados Unidos, decretado pelo governo Trump como reação à condução do julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, pois todas as outras argumentações, como balança comercial desfavorável ou práticas comerciais prejudiciais ao EUA se demonstraram equivocadas.
Como se não bastasse, o mesmo governo norte-americano aplicou sanções diretas a autoridades brasileiras, incluindo ministros do STF. Não é pouco.
Mas o que está realmente em jogo aqui não é só a relação comercial entre dois países ou uma represália isolada. Estamos diante de um novo tipo de conflito político-econômico global, onde decisões comerciais são usadas como armas diplomáticas para interferir em assuntos internos de outras nações. E esse tipo de jogada muda tudo.

Não é só sobre laranja e carne
De cara, o impacto atinge o agronegócio: carne, suco de laranja, café e até componentes industriais que fazem parte de grandes cadeias produtivas. Empresas reavaliam contratos, adiam embarques, planejam redirecionar rotas. Tudo isso acontece rápido — mas é a resposta emocional, simbólica e política da sociedade que mais chama atenção.
Uma grande lista publicada na manhã de hoje, dia 31 de julho de 2025, apresenta mais de 700 categorias de produtos brasileiros que terão ‘somente’ a taxação de 10% prometida em abril deste ano, não sendo a elas somada a taxação extra de 40%. Aço, suco de laranja, petróleo, aviões estão entre os produtos brasileiros necessários para a vida do americano e assim, de interesse do seu governo.
Mais de 60% da população brasileira considera injusto o tarifaço de 50% de Trump. Boa parte culpa Bolsonaro e sua relação pessoal com o ex-presidente dos EUA. E, ao contrário do que muitos pensavam, o governo Lula tem sido visto como razoável em sua resposta, bem como razoável na união de diferentes frentes políticas brasileiras para elaborar e executar um plano de mitigação dos prejuízos futuros.
Uma nova realidade internacional
O que estamos vendo é o prenúncio de uma nova lógica nas relações internacionais. O comércio, que sempre foi o campo da diplomacia, agora está sendo instrumentalizado por disputas ideológicas. Isso exige do Brasil um novo olhar sobre sua inserção no mundo.
Não basta mais apostar em acordos comerciais bilaterais e tratados multilaterais como solução mágica. É preciso pensar em resiliência geoeconômica: diversificar mercados, criar independência tecnológica, fortalecer a diplomacia e, principalmente, construir uma narrativa clara sobre quem somos, o que queremos e o que não aceitaremos.
Porém, uma questão muito importante é compreender: como o pequeno empresário fica nessa? Como o trabalhador fica com tudo isso? Como executivas e executivos devem a partir de agora ajudar suas empresas a passarem por estas instabilidades?
E o que fazemos com isso? O que fazemos com o ‘bode na sala’?
Enquanto o governo, líderes econômicos e entidades de classe estão se esforçando para em vez de apenas reagir às tarifas e sanções, encarar esse momento como uma oportunidade de aprendizado e reposicionamento estratégico, o que nós precisamos fazer para nos posicionarmos frente a este tarifaço?
1. Reduzir vulnerabilidades frente ao tarifaço
Não dá mais para depender tanto dos EUA como destino central das nossas exportações estratégicas. Devemos acelerar relações com América Latina, Europa, China, Índia e África — com foco não só em volume, mas em acordos baseados em confiança mútua e estabilidade de longo prazo.
No mercado nacional, nossas empresas precisam compreender rapidamente entre seus clientes quais serão mais afetados e quais poderão se aproximar de novas oportunidades a partir do tarifaço. Se faz importante ajudar os clientes que sofrerão mais, mas também muito importante ‘colar’ nos clientes que se beneficiarão para ajudá-los a alcançar ainda mais resultados.
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2. Reconstruir ou fortalecer a marca e a diplomacia brasileira
A resposta brasileira precisa ir além da retaliação comercial. Devemos assumir protagonismo em fóruns internacionais, denunciar o uso indevido de sanções como arma política e defender mecanismos de governança global mais justos. A retórica de soberania não pode ser só defensiva — ela precisa ser construtiva.
O Brasil e o brasileiro precisam definitivamente criar ou reforçar a marca do nosso país para quem está fora. As novas oportunidades para nossas empresas passarão pela reconstrução de laços importantes com empresas e países afins. Não existe mais espaço para ‘síndrome de vira-latas’, pois precisaremos ser enxergados pelo mundo como um parceiro potente e confiável.
3. Comunicar com a população de forma aberta
Esse tipo de crise não pode ser tratado como assunto “técnico demais”. A sociedade brasileira mostrou que se importa, que entende que o que acontece lá fora afeta nosso prato, nosso bolso e nossa dignidade. Comunicar bem, com clareza, é parte da resposta.
Em um mundo onde as narrativas e as fake news tomam rapidamente conta das timelines nas redes sociais e dos grupos de WhatsApp, desenvolver uma comunicação aberta, dinâmica, clara e sincera para o nosso povo é fundamental. Não podemos mais ficar a mercê do que não nos levará para um bom caminho.
4. Apoiar empresas brasileiras em transição.
Muitas empresas como do setor de agro e da indústria de base, serão diretamente atingidas. Precisamos de medidas emergenciais, mas também de políticas estruturantes: estímulo à inovação, linhas de crédito para diversificação e incentivo à geração de valor dentro do país.
Mas, antes de qualquer outra coisa, chegou o momento de incentivar e apoiar o empreendedor e empresário brasileiro. Chegou o momento de incentivar o crescimento empresarial e industrial no nosso país. Algumas ações são de curto prazo, mas outras são estruturantes como o incentivo a infraestrutura e projetos de desenvolvimento industrial.
5. Se aproximar dos afins para encontrar saídas.
Em um mundo de polarização é muito fácil se reunir somente com os que pensam igual a nós e esquecer que, para resolvermos o que precisamos fazer e definitivamente tirar o ‘bode da sala’, devemos nos reunir com todas e todos.
Quando escrevi o livro Inocente Digital, tratei nele sobre como é importante termos a habilidade de nos encontrarmos com o diferente, de nos aproximarmos daqueles que pensam um pouco diferente de nós, mas que estão dispostos a conversar, esclarecer, unir forças e encontrar um novo caminho.
Esta será, com certeza, uma das principais habilidades que deveremos, enquanto sociedade, desenvolver para o nosso futuro breve.
Tarifaço não é o fim do mundo — é um novo mundo
O que estamos vivendo não é só uma crise comercial ou diplomática. É uma mudança no jogo. E como toda mudança, traz desconforto, sim. Mas também abre portas.
O Brasil tem uma chance rara de revisar sua posição no tabuleiro global. Mas isso exige que a gente entenda o que está acontecendo — sem cair em polarizações, sem virar refém de discursos fáceis. Exige maturidade, estratégia e, acima de tudo, coerência entre o que defendemos aqui dentro e o que praticamos lá fora.
Empresárias, empresários, executivas, executivos… todos nós, devemos compreender que as transformações necessárias serão conduzidas a partir do nosso empenho pessoal e da nossa energia em comum. Essa é a nova realidade. Não foi a gente que escolheu, mas somos nós que vamos decidir como vamos atravessar ela.
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Atuando em Vendas, Marketing, Empreendedorismo e Relacionamento com clientes desde 1996. Graduado em Marketing. Especialista em Comunicação Omnichannel, Inbound Marketing e Vendas Consultivas. Fundador da Palestras e Conteúdo e excutivo em empresas de tecnologia. Autor da obra “Inocente Digital – Como ‘desbugar’ sua mente em um mundo digital e acelerado” e coautor de “O poder da conveniência Omnichannel no Atendimento” (com mais de 20 mil leitores), “Metamorfose Empreendedora – Os 4E´s do SER”. Vencedor dos prêmios ABC da Comunicação como o melhor profissional de vendas no ano de 2020 e “Sabre Awards LATAM 2021” na categoria “Business-To-Business Marketing: Digital Presence and Omnichannel service in the Covid-19- pandemic”. Presidente do comitê de profissionais de comunicação do Prêmio ABC da Comunicação. Professor de MBA na Faculdade Exame, com passagens pela Faculdade Mauá e IEL-AL. Formado em Alta Performance em Comunicação pela SBPNL, Líderes do Futuro pela Crescimentum e Solution Selling pela Microsoft Business Solution. Parceiro RD Station com Certificações e Prêmios de Inbound Marketing alcançados individualmente ou em conjunto com a Agência Incandescente. Mentor de Startups pela InovAtiva Brasil, Aceleradora de Startups do Governo Federal. Desde 2014 ministrou mais de 480 palestras, workshops, cursos, mentorias e consultorias sobre Vendas Consultivas, Marketing Digital, Marketing de Conversa, Atendimento Omnichannel, Empreendedorismo, Comunicação Humana nos Negócios e Liderança em eventos como RD Summit, Futurecom, ABRINT, Crescer, Social Media Week, CorpoRH, Expo ISP, Medical Fair, CONEMOV, HIGIEXPO e Meetings de negócios em Federações das Indústrias, CEBRASSE (Central do Setor de Serviços) e outras entidades de grande porte.
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